Sempre me fez confusão a forma de liderança da autarquia, seguida pelo excutivo da coligação, em exercício cá em Cascais .
Sempre me pareceu que se tratava de uma gestão autárquica tipo “ navegação à vista “ , sem um objectivo concreto e sem uma estratégia definida .
Confundia-me a sucessão de festas , eventos e demais medidas sem que entre elas existisse um fio condutor ; parecia que tudo era obra do acaso .
Para mais conhecendo-se a real situação financeira do município que só o sistemático recurso a operações de engenharia financeira, vai camuflando.
Nesta conformidade, o permanente ambiente de sempre em festa , numa envolvente de crise financeira, reforçava a convicção de desnorte por parte do executivo .
Mas há um momento em que as coisas se tornaram claras e no caso, até foram dois os momentos :
- o primeiro , a pressa em aceitar e avançar com acordos para a delegação de competências para a municipalização de um certo número de serviços , embora a convicção sobre a bondade destas delegações de competências merecesse à ANMP sérias reservas . Afinal essa delegação de competências em áreas como a educação , a saúde , a cultura , etc e as consequentes transferências do verbas do OE, eram ou são como que oiro sobre azul , nos projectos políticos do executivo .
O segundo momento de clarificação, passa pela modo apressado , um pouco escuso e até atabalhoado, como se tenta aprovar o PDM de qualquer modo e feitio , o qual e tanto quanto se pode perceber , representará um retorno ao concelho de um certo tipo de investidor imobiliário , para quem só o lucro , o lucro especulativo interessa ; é sintomático dessa situação que os pontos quentes do PDM e que merecem o repúdio da grande maioria dos munícipes, passa pelas alterações às situações presentes , em locais de elevada qualidade e valor , ou sejam locais em primeira linha de costa , ou locais de elevada qualidade ambiental junto ao Parque Natural Sintra - Cascais e próximo do litoral .
Estas opções são fundamentais para o autaca; não porque sejam, por si , motores de bem estar e de melhoria económica , social ou ambiental no concelho , mas porque representam para a autarquia receitas que afinal são fundamentais para manter satisfeita uma certa clientela de boys & girls oriundos das jotas e não só que nas diversas agências , comissões , empresas municipais e coisas similares , vão encontrando o emprego que falha a tantos milhares de jovens e menos jovens , como eles e para a manutenção do ambiente da “festança “ e dos “ eventos “ mais ou menos representativos mas que satisfazem uma certa tendência para a auto promoção e megalomania do executivo , sendo deste modo, real e concretamente a forma encontrada para suporte da coligação.
Nesse momento tive um epifania e percebi que efectivamente e ao contrário do que pensava, há efectivamente uma estratégia , há um linha condutora perfeitamente definida , em todo o percurso deste executivo , mesmo desde quando assumiu a gestão, ainda em regime de interinidade .
Aliás percebi que essa estratégia que é desenvolvida à revelia dos princípios programáticos e ideológicos dos partidos coligados , ou seja a social democracia e a democracia cristã e que se pode definir como o desenvolvimento de uma forma de regime autárquico baseado no populismo sul americano que denominaria como “ carreirismo populista ” e que é uma forma de governar em que o governante , no caso o autarca , utiliza de vários recursos da própria autarquia para obter apoio popular.
O “ carreirismo populista “ utiliza uma linguagem simples e popular, usa e abusa da propaganda pessoal, afirma não ser igual aos outros políticos, toma medidas autoritárias, não respeita os partidos políticos e instituições democráticas, diz que é capaz de resolver todos os problemas e possui um comportamento bem carismático.
O “ carreirismo populista “ caracteriza-se menos por um conteúdo determinado , do que por um "modo" de exercício do poder; a sua característica básica é o contacto direto entre as massas urbanas e o líder carismático, supostamente sem a intermediação de partidos.
Para ser eleito e governar, o líder populista procura estabelecer um vínculo emocional com o "povo" e isso implica num sistema de políticas ou métodos para o aliciamento das classes sociais de menor poder aquisitivo, além da classe média urbana, como forma de angariar votos e prestígio (legitimidade para si) através da simpatia daquelas.
O “ carreirismo populista “ é o adversário que todos os verdadeiros democratas e todos os que ralmente defendem a democracia participativa e a democracia directa devem combater, como o fizeram ontem sábado na Areia .
