O século XXI que era suposto ser um tempo diferente, até ao momento nada acrescentou ou melhorou ao anterior.
Pelo contrário.
A esquerda e quando digo a esquerda refiro-me aos saudosos da utopia marxista leninista pura e dura que perderam, com a queda do Muro de Berlim e sequente implosão da URSS, o protagonismo que tinham.
Eram os paladinos da justiça, da solidariedade e da fraternidade, eram os defensores de uma nova sociedade e da globalização , bem expressa na frase : proletários de todos os países mundo, uni-vos (no seu original alemão Proletarier aller Länder, vereinigt euch!) que serviu de mote para acções pouco fraternas , em África , na Ásia , nas Américas do Sul e Central e mesmo na Europa.
Em Lisboa e por todo o território português também se ouviu o tal slogan e hoje , sem saudades, recordamos o que foram os anos de 74 e 75, até ao 25 de novembro.
Quando acreditávamos que uma ditadura corporativista e conservadora tinha dado lugar a uma democracia moderna, humanista, liberal e europeia, acabámos por constatar que havia um plano da esquerda marxista leninista, para a instalação de uma ditadura , a chamada ditadura do proletariado suportada pelo centralismo democrático.
Quando acreditávamos que iríamos finalmente ter paz , após treze anos de guerra, estivemos á beira de uma guerra civil em 25 de Novembro de 1975, cerca de um ano e meio depois da Revolução que ia instalar a democracia , o progresso, a justiças e a paz..
Em 76 foi aprovada a nova Constituição que substituio a velha constituição da ditadura de 1933 .
Recordamos que o processo da elaboração da nova constituição democrática pela Assembleia Constituinte , também foi objecto de situações estranhas, mas reveladoras de um objectivo concreto : a instalação de uma República a caminho do socialismo .
Todos os partidos representado nessa Assembleia , com excepção do CDS , aprovaram em 2 de Abril de 1976, a nova Lei Fundamental de Portugal.
Quando hoje , preocupados , assistimos á situação deste país , política , económica e social , apercebemo-nos que tudo é , em última análise resultante dos tempos conturbados de 75 e 76 e em particular de uma Constituição que de modo concreto sequestrou a democracia e permitiu a permanência dos partidos que a aprovaram e que na sua elaboração criaram as condições para a manutenção dos seis partidos de então, PPD ( hoje PSD), PS e BE ( então UDP e FRS ), MDP-CDE ( que se diluiu pouco depois no PCP e no PS ) e CDS ( único partido que não aprovou a Constituição )através de normas impeditivas de acesso de novas forças políticas.
Este cenário estranho e preocupante e que então não preocupou ninguém, teve a sua estreia na primeira Assembleias Legislativa , em 25 de abril de 1976.
Nesse processo eleitoral , o primeiro em democracia , por voto universal e secreto , o PS saiu vencedor das eleições, com 34,88% dos votos, elegendo 107 deputados. O PPD/PSD ficou em segundo, com 24,35% dos votos (73 deputados), seguido do CDS com 15,97% (42 deputados), o qual passou a ser a terceira força parlamentar, ultrapassando o PCP que ainda assim subiu (14,39%, 40 deputados) em relação à votação que tinha obtido para a Assembleia Constituinte e a UDP também aumentou a sua votação (1,68%) .
Desde 1976 , até ao último acto eleitoral de 2022 , o PPD/PSD e o PS , sozinhos ou integrando coligações , têm alternado no Governo , num verdadeiro regime oligárquico , mais ou menos democrático.
Podemos , sem dúvida , afirmar que está nessa alternância , a criação do sistema de compadrio , caciquismo , nepotismo e corrupção que actualmente se vive .
Hoje , em 2023, percebemos que nenhuma força política tem as mãos limpas e que as vítimas são os portugueses eleitores e contribuintes e em particular os que trabalham por conta de outrém, ou gerem micro , pequenas e médias empresas .
A presente situação, na Saúde , na Educação , na Segurança , na Defesa , no apoio social aos mais carenciados , é a consequência de anos e anos de maus governos, mais preocupados com os negócios próprios, do que na situação dos portugueses no geral , em particular os de menores recursos .
Retomando o século passado, poderemos , ainda, questionar a chamada descolonização exemplar e os seus actores principais.
Em 22 de fevereiro de 1974., o General António de Spínola publicou um livro , Portugal e o Futuro. Nesse livro, o ex-governador da Guiné portuguesa , depois Guiné- Bissau , advogava, após 13 anos de guerra uma solução política e não militar, como sendo a única saída para o conflito. Embora uma certa facção militar marxista o negue o livro, o autor e as soluções que preconizava, são a razão da massiva adesão dos militares ao movimento que esteve na origem da Revolução de 25 de abril.
Todos recordamos esses tempos de 74 , do MFA , do Conselho da Revolução,dos movimentos e indisciplina dentro das Forças Armadas e bem assim o nome dos responsáveis a começar pelo General Costa Gomes que veio a ser Presidente da República .
Um dia , a história dará a conhecer quem fez o quê e porquê e nomes como Costa Gomes, Mário Soares , Almeida Santos, Vasco Gonçalves , Rosa Coutinho e outros militares e civis serão denunciados pelas malfeitorias que fizeram nesse tempo.
Processos traumáticos como a descolonização , as ocupações , as auto gestões e as nacionalizações serão então expostas .
Mas , hoje sabemos que a situação que vivemos em Portugal , na verdade começou em 11 de março e desde então , como um polvo , tem-se desenvolvido e fortalecido.
Neste tempo há outro momento político que um dia também será exposto: Macau e aqueles que por lá estiveram nos últimos tempos antes da entrega do território á República Popular da China.
Conheceremos , então as negociatas ,os compadrios , os acordos e as corrupções que por lá se fizeram.
Recordamos , por mero exemplo , toda a trapalhada daquele que ficou conhecido como o Caso Melancia e as ligações que aparentemente o PS tinha com os suspeitos .
Enfim , talvez nessa altura se explique a influência que passado algum tempo, a República Popular da China e alguns insuspeitos cidadãos chineses ,têm hoje, em Portugal, nos mais diversos sectores .
Em suma, podemos dizer que Macau e as suas ligações a Portugal, foram o campo de aprendizagem e ensaio de muitas das tropelias que hoje acontecem.
Há uns anos, conheci um político que ainda hoje admiro pela seu elevado conceito da política , pela sua ética , pela sua honestidade e transparência; esse político liderou um partido , hoje desaparecido e fazia grande resistência á constituição de uma jota; dizia ele que as jotas eram o viveiro de futuros políticos sem ética, sem honestidade e disponíveis para todo o tipo de cambalhachos e negociatas
O tempo tem vindo a dar-lhe razão.
Quando hoje analisamos as diversas situações de compadrios , nepotismo ou corrupção conhecidas , há uma constante: todos ou quase todos os intervenientes políticos , foram militantes nas jotas .
Passados 49 anos de abril de 74 , muitos dos actores desse tempo já não estão entre nós e os sobreviventes procuram não ter uma acção política visível , remetendo-se ao papel cómodo de Senadores ou Barões partidários, o que não significa que deixaram de exercer o seu poder de influência .
Consolidado o quadro partidário em 75 / 76 , os partidos criaram as juventudes partidárias , vulgo jotas.
Assim, hoje em dia , os que ocupam cargos nos mais diversos órgãos de poder : Assembleia da República , Governo ( Ministros, Secretários de Estado, Directores Gerais , mas também nas autarquia , nas empresas públicas e outros organismos e instituições dependentes do poder público , bem como alguns outros que optaram por outro tipo de intervenção como assessores , consultores e facilitadores de negócios, passaram , com algumas excepções que confirmam a regra , pelas jotas .
Não afirmo que todos os que passaram pelas jotas são corruptos ou malfeitores; mas a experiência leva a constatar que as jotas , com os curso de política ,seminários , encontros e com as chamadas Universidades de Verão, são a base de uma certa forma de fazer política, baseada no compadrio, no nepotismo e no caciquismo/ clientelismo que levaram a situações gravosas de corrupção , pela ideia que criaram do poder sem limites, do facilitismo e da irresponsabilidade que grupos aí criados e fortalecidos , usam hoje em dia, na sua intervenção política .
Uma breve análise da biografia de alguns actores nos diversos casos conhecidos , comprova-o .
Portugal, hoje em dia , é uma quinta que alguns grupos instalados gerem a seu belo prazer e interesse . Esses grupos , nascidos nas jotas, são o polvo que asfixia os portugueses.
O resultado das políticas da oligarquia alternativa do PSD e do PS , é conhecido por todos ; desde logo uma divida externa que não para de crescer e que atinge valores astronómicos , aliás um PM do PS dizia que estas dividas não são para pagar e disse-o antes de abandonar o poder e da entrada do FMI num Portugal á beira da banca rota , com as consequências que recordamos .
Se paradoxalmente temos a maior dívida externa de sempre , também temos a maior carga fiscal de sempre, sem que se vejam resultados disso, pois a Saúde está um caos , a Educação também , a Segurança e a Defesa quase inexistentes por falta de meios e a Justiça só serve para ricos que possam pagar.
Temos uma das maiores ZEE da Europa e do mundo, mas não temos meios de a proteger; navios que não navegam, navios que não têm armas , etc.
Mas enquanto faltam meios , leia-se euros para as Forças de Segurança e da Defesa , lançam-se pela porta fora e sem hipótese de recuperação, milhares de milhões de euros, em caso estranhos como são as novelas do NOVOBANCO ( ex BES ), do BANIFF ( ex Horácio Roque ), da EFACEC ( ex Isabel dos Santos filha do ditador angolano ) , da TAP ( ex David Neeleman (fundador da norte-americana jetBlue Airways e dono da Azul Linhas Aéreas Brasileiras) e Humberto Pedrosa (CEO do Grupo Barraqueiro) ) e tantas outras de menor valor .
Estas são algumas das muitas situações má gestão dos últimos governos do PS, o que não significa que o outro partido do regime oligárquico , o PSD. também não tenha bem escondidos , ou parcialmente expostos muitos esqueletos nas suas caves.
Aliás, uma análise superficial do CV dos Ministros e Secretários de Estado envolvidos e dos membros das Assembleias gerais e Administração destas e outras companhias problemáticas, é elucidativo do que venho a expor .
Há , há muitos anos, uma situação real de promiscuidade entre os Governos ( PS e PSD ) e os grande grupos económicos detentores do capital.
Ex Ministros , ex Secretários de Estado, ex responsáveis por áreas estratégicas, têm saltado de S. Bento para as Administrações de grandes empresas e bancos e vice versa . em perfeita e completa irresponsabilidade e muitas das vezes não cumprindo o expresso na lei , sobre esta matéria .
E nada lhes acontece.
Nos últimos anos têm-se verificado casos envolvendo titulares de cargos públicos, sendo o último o que envolve o Ministro João Galamba , o seu gabinete , o SIS e eventualmente a pessoa do PM.
Na verdade o ar tem vindo a tornar-se insuportável para o PS e essa situação determinou que se criasse um cortina de fumo criando um novo caso político que de algum modo desvie as atenções dos portugueses.
Assim foi lançada a agenda do género , na sequências de outras medidas desestruturantes da sociedade portuguesa , uma sociedade que respeita e defende as tradições, a cultura , a língua a confissão religiosa dominante; foi o aborto, a eutanásia , a homossexualidade, o casamente entre pessoas do mesmo sexo, a adopção por casais constituídos por pessoas do mesmo sexo e ultimamente toda a pretensa questão do género LGBTQIA+ .
Mas assumiu também relevância as questões dos refugiados e migrantes aquém se reconheceram direitos , mas não deveres , recusados aos portugueses, nomeadamente os mais carenciados .
Se verificarem , toda esta complexa malha de supostos assuntos de enorme significado social ( segundo estatísticas as comunidades LGBT representam cerca de 8 % da população nacional , os portadores de deficiência que ninguém defende, representam mais de 10% da população ) , foi levantada e defendida pelas jotas …
Para bom entendedor , diz a nossa gente , meia palavra basta .
Disse
maio de 2023

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